Alegações finais.

Sabes? 

Um dia tudo isto vai acabar. 

O tempo vai deixar de contar para nós e aquilo que nos liga deixará de ligar. O relógio vai parar e o Universo poderá não acontecer. Mas também de que nos interessa se não estivermos a ver? 

Mandamos o mundo bugiar quando já não contar com a nossa presença. 

Porca miséria de vida a ordenar que a sentença seja a morte. 

Que sorte vulgar em nascer humano. Nasci mas nasci por engano. 

Eu sempre soube que era mais deus, um deus de um “d” dos grandes, com a magnitude de um deus do Olimpo. 

Sabes o que sinto?

Que estou a enlouquecer.

A ficar louco com os outros a ver, aqueles que se julgam capazes de lutar pelo seu próprio emprego. Aqueles que andam de chamego com a futilidade. 

Aqueles que na verdade estão enganados. 

Os pobres coitados que só sabem fazer trânsito. 

Para mim basta. 

Não me deixo mais ludibriar. 

Estou-me a borrifar para as leis da religião. Eles dizem sim e eu digo não, já lhes dei tantas oportunidades de salvarem a humanidade e nada, dois mil anos de nada, de vã esperança, de promessas e não chega ninguém. Não vem o filho da mãe que nos prometeu a salvação.

Sabes? 

Estamos sozinhos. 

Sozinhos e sem vizinhos ou gente do outro lado da linha. Somos uma advinha sem resposta. Somos a porcaria de uma aposta que já está perdida. 

Somos a morte porque nunca fomos a VIDA. 

Tristão de Andrade 

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